Terça-feira, 5 de Outubro de 2010

A Dimensão da Coesão

Muitos são os que vêm no Alentejo o nome de uma região. Talvez por força da promoção turística, talvez pela força dos vinhos do Alentejo, do cante, do Azeite e dos Queijos do Alentejo, no entanto, uma região não é uma “denominação de origem” e muito menos um “nome protegido”. Uma região é o seu povo, as suas ligações e, fundamentalmente, o seu espaço de vida.

Neste sentido recordo, com saudade, os relatos dos meus avós sobre as idas longínquas à “Feira de Castro” ao banho do “vinte nove” à Zambujeira do Mar, da “Barreira” em Odemira, das estadias, penosas, no Hospital de Beja e, imagine-se, do Bispo de Beja. Mais recentemente, frequentando o Instituto Politécnico de Beja, recordo viver intensamente a “Ovibeja”, o “Rosal de La Fronteira”, as discussões calorosas sobre os Toiros de Barrancos, a Ovelha “Campaniça” de Mértola, o Alqueva, a Herdade da Aboboda e o Queijo (e Queijadas) de Serpa sempre acompanhado da famosa imperial (muitas) do “Lebrinha”.

É, julgo e sinto eu, destas pequenas (grandes) coisas que se constrói uma região, a isto convencionou-se chamar apropriação, sentimento de pertença ou, mais apropriadamente, alma! É disto que se faz o cimento da história de um povo.

Não vale a pena construir artificialidades assentes em suposta necessidade de massa critica, de dimensão territorial e/ou demográfica ou mesmo de centros urbanos geradores de oportunidades porque não faz sentido falar de uma região com 535 000 habitantes (Alentejo) quando outras, no mesmo quadro, terão 3 700 000 habitantes (Norte), porque não faz sentido falar de uma região com 4,9% do PIB Nacional (Alentejo) e outras, no mesmo quadro, com 46% do PIB Nacional (Lisboa e Vale do Tejo). Assim, quantitativamente, não faz sentido falar de regionalização.

Talvez, mas só talvez, faça sentido olharmos para aquilo que nos liga no dia a dia, nas necessidades que temos em construir ligações da população com os Hospitais de Beja e do Litoral Alentejano, das ligações da população com os tribunais da nova comarca do Litoral Alentejano, da necessidade que existe em construir órgãos de comunicação que liguem todo o Baixo Alentejo (rádio e jornal). Talvez, mas só talvez, seja importante potenciar os novos projectos estruturantes da região (Alqueva, Aeroporto de Beja, Instituto Politécnico de Beja, IP8, Rede de Cineteatros e Porto de Sines) e estende-los a todo o Baixo Alentejo.

Talvez seja importante olharmos para essa entidade milenar, a Igreja, e percebermos porque razão a sua organização corresponde, persistentemente, ao Baixo Alentejo. Talvez, de uma vez por todas, seja o momento para agarrarmos a Associação de Municípios do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral como o actor regional que agrega todos os municípios desta fabulosa região e nos concentremos em construir um caminho, certamente difícil, mas que é nosso!

Talvez seja difícil mas certamente que “a maior loucura é ver a vida como ela é e não como poderia ser!”

1 comentários:

  1. Caro Helder
    compreendo a tua posição, mas ...... há quem sonhe com outros centralismos.

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