Sábado, 19 de Fevereiro de 2011

O Isolamento e os Mistérios da Vida

Num dia de Setembro de um ano qualquer um Secretário de Estado anunciou (cerimónia muito bem montada por acaso) a elaboração de um estudo de avaliação ambiental estratégica da Rede Rodoviária Nacional no Litoral Alentejano e Algarvio onde, numa frase “Aproximar Odemira” resumia claramente o objectivo do mesmo.

Disse e cumpriu!

Terminado o propalado estudo encontra-se agora em discussão pública (mais uma) e já contem matéria que antevê um resultado semelhante ao do Plano do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

Porque o objectivo era “Aproximar Odemira”, supõe-se que do resto do País, concluí, o próprio estudo, que a única forma de o fazer é construir um nova (velha) via em traçado de IC (o tal IC4) ligando Odemira a todo o Litoral Alentejano e, por outro lado, apontando a necessidade, ainda assim, de construir um novo traçado que ligue Odemira a Beja, por Ourique, também num traçado IC. Ninguém faria melhor e a expectativa de anos de toda uma população e autarcas estava alcançado.

Se era esta a solução de aproximação que o estudo concluía é no mínimo lamentável e misterioso verificar que a proposta final é que sejam os mesmos traçados mas em formato de EN (estrada nacional) que, segundo o próprio estudo, não trará nenhum benefício de aproximação de Odemira ao País. Que dizer?!?!

Acresce que a “equipa técnica” da AMBAAL (Associação de Municípios do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral), em 2009, sem consulta que se conheça à Câmara de Odemira, propõe, lamentavelmente, ao instituto responsável pelo estudo em questão que a ligação de Odemira a Beja se faça pela “requalificação da EN263”.

Sobre esta proposta Odemira irá contestar, lutar e, certamente, fazer valer os seus pontos de vista mas para isso precisamos de todos mas, por causa deste tipo de posicionamentos extemporâneos se perdeu uma oportunidade de uma Associação, à qual Odemira orgulhosamente pertence, ser solidária com um dos seus membros e marcar a liderança regional na defesa de um projecto fundamental como são as acessibilidades no Baixo Alentejo.

5 comentários:

  1. Supostamente os estudos deveriam servir para algo. É, no mínimo, estranha a posição da AMBAAL !!! Estavam distraídos ou deram pouca atenção ao assunto?

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  3. O concelho de Odemira, como o outro já dizia em relação a Portugal, é um jardim à beira mar plantado. Um jardim muito apreciado pela alta sociedade portuguesa, em especial a de lisboa, basta conhecer um pouco este concelho para que até com alguma facilidade, se encontre um monte aqui, outro monte ali, de actores famosos, cantores, jornalistas, médicos, gente com altos cargos em empresas públicas etc... Quer dizer gente com uma bela conta bancária! Ele é ver filhos de ministros e de "presidentes", por esse festival sudoeste fora, enfim é uma alegria. No caso dos apreciadores do nosso jardim, cá chegar e passar fins-de-semana e férias, é uma aventura, são os miúdos a gritar eufóricos, "vamos para o Alentejo","vamos para o Alentejo", praia, muita terra, muita curva, muita poeira e ovelhinhas e vaquinhas... Observe-se o parque automóvel presente no concelho durante as férias de verão? São máquinas incríveis que ultrapassam qualquer adversidade até cá chegar, ultrapassam qualquer camião carregado de hortícolas que a passo caracol tenta chegar ao seu destino, passam por qualquer buraco, não há curvas que metam medo a sistemas ESP, ABS, ASR a evitar possíveis derrapagens, e se alguma senhora com pouca experiência de condução em curva-contra-curva e terreno acidentado espetar o seu Mercedes num eucalipto centenário, a seguradora dá um novo, ou o sistema leasing, ou o marido! Vale tudo para chegar usar e desfrutar ao máximo.
    Entretanto os jardineiros bem ou mal continuam a tratar do seu jardim, por aqui vão vivendo e morrendo, uns de velhice, outros a caminho do hospital, outros desistem e tornam-se "lisboetas", outros menos lúcidos andam por aí de ancinhos no ar, a lutar por um jardim melhor, mais próximo de Portugal e do mundo. Enfim, quando penso neste nosso jardim, vem-me à memória a última cena do filme Underground do Emir Kusturica, quando todos a cantar e a dançar sobre um pedaço de terra ao mesmo tempo que este se desmantela e se afasta do país!
    Estaremos nós condenados a este tipo de isolamento?

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  4. É essa a diferença entre viver todos os dias do ano no Alentejo, em geral, e vir cá passear de vez em quando ..... o mesmo (mais ainda por fracas acessibilidades) acontece com Odemira ... concordo com o post anterior

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